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O último tango de Messi

A Argentina enfrentou, nesta quinta-feira (04), a Venezuela, no Monumental de Nuñez, pela penúltima rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. O último tango de Lionel Messi em Buenos Aires foi da forma como o craque acostumou os seus torcedores. Sendo recheado de gols e lágrimas.

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Messi em seu último tango.
Messi, em sua despedida pelas eliminatórias. Foto – Divulgação/AFA

 

Partidas sempre envolvem dor, uma perda. Ninguém ousou afirmar antes da partida que este era o seu último, mas foi. Foi nas eliminatórias em casa, como o próprio Lionel Messi confirmou ao final. 

Mas antes do seu anúncio oficial, seu rosto disse tudo. As lágrimas transbordando de seus cílios, o olhar fixo em cada canto do estádio e, acima de tudo, na bancada de onde seus filhos o cumprimentaram. Abraçando-o à distância primeiro e depois acompanhando-o até o centro do campo em uma entrada única, que ele lembrará para o resto de sua vida.

Ele ainda cantou o hino ao lado dos filhos no meio do campo do estádio Monumental, e foi ovacionado de pé pela torcida. A vitória por 3 a 0 foi o final de uma história que começou há 20 anos contra o Peru e durou 72 jogos, o maior número de jogos de um jogador de futebol nas Eliminatórias.

A Despedida

Este foi o último jogo oficial do Messi em seu país, mas ainda tem mais. ‘La Pulga’, apelido carinhoso dado por seus conterrâneos, mostra que ainda tem muita vida pela frente. Faltam entre 10 e 15 jogos até julho do ano que vem.

Começar a se despedir faltando nove meses para a Copa do Mundo parece a mensagem racional de um jogador que ganhou tudo, que alcançou a maior glória possível em sua carreira, naquele 18 de dezembro de 2022 e que seguiu em frente, porque ama jogar futebol, porque ama jogar por seu país.

Vení, vení, cantá conmigo que un amigo vas a encontrar, que de la mano de Leo Messi, todos la vuelta vamos a dar“, desceu das arquibancadas pela primeira vez duas horas antes do início do jogo, como um prelúdio para o que viria a noite toda.

O craque e sua torcida sabem que sua última dança, em definitivo, ainda acontecerá em outro momento, mas a partida ganhou ares de despedida, antes mesmo da bola rolar. Emocionado, Messi transformou um jogo protocolar para os ‘hermanos’ em uma partida histórica. 

Messi e Argentina
Messi com seus filhos durante o hino argentino. Foto – Divulgação/AFA

O baile argentino

Lionel continua com a mesma voracidade de 20 anos atrás, quando estava apenas engatinhando pelos campos afora, iniciando sua gloriosa jornada com a pelota.

Aos ‘38, Messi deu seu primeiro gosto de genialidade. O craque, com um toque, encobriu o goleiro e três defensores, assinando um golaço digno de sua magia contra os venezuelanos. Coincidentemente, seu primeiro gol nas Eliminatórias havia sido contra o mesmo adversário em 2007.

No segundo tempo, em mais uma contribuição genial de Lionel Messi, a Argentina ampliou, o camisa 10 cobrou uma falta rápida e serviu Nico González na linha de fundo, que serviu Lautaro Martínez, marcando o segundo. Pouco depois, Thiago Almada apareceu com liberdade pelo lado direito e rolou para Lionel Messi completar a sua própria festa. 3 a 0 e uma despedida à altura de um gigante. 

A ovação no final, vinda de todos os lados, foi suficiente para nos fazer ficar em silêncio e ouvir. É o povo reconhecendo Messi por tudo o que ele deu aos argentinos e ao futebol, principalmente. 

“Terminar assim é o que sempre sonhei”, declarou o craque, de 38 anos, oito vezes ‘Bola de Ouro’, após a vitória. “Por muitos anos, recebi tanto amor no Barcelona, e meu sonho era recebê-lo aqui também, no meu país, com o meu povo. Por muitos anos, muitas coisas foram ditas, mas todas as coisas boas e bonitas que fizemos permanecem. Fiquei com o grupo que tentou e não conseguiu vencer, mas depois tudo o que vivemos foi lindo”, acrescentou.

O craque saiu abraçando a todos, incluindo alguns potenciais sucessores e até mesmo ‘herdeiros’, como Julian Álvarez, Lautaro Martinez e o jovem Franco Mastantuono, recém-chegado ao Real Madrid. Mas, eles não podem ser chamados por herdeiros, no momento, por não poderem assumir tamanha responsabilidade de substituir o insubstituível.

Messi e Argentina
Messi comemorando com seus “sucessores”. Foto – Divulgação/AFA

 

Os números indicam que La Pulga se aposentou invicto com a seleção no campo do River Plate (18 vitórias e seis empates), somando 51 jogos em casa, entre Eliminatórias, Copa América e amistosos. Os aplausos, as ovações e o carinho que recebeu esta noite refletem essas estatísticas e esses títulos, mas o carinho, claro, não se explica apenas por isso.

Parecia que esse momento nunca chegaria, mas a Argentina começa a se preparar para a era pós-Messi. Os argentinos, depois de Messi, podem se declarar uma seleção mais “pés no chão”. O certo é que será uma seleção que sentirá para sempre a falta de seu gênio. 

Dizer “obrigado”, “só obrigado”, “obrigado eternamente”, parece pouco. Mas certamente ele não quer nada além da gratidão das pessoas que sempre torceram por sua magia em campo.