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Confederação Brasileira de Fracassos

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade máxima do futebol nacional, adicionou mais um vexame em sua já extensa lista de fracassos nesta década. Desta vez, foi na Copa do Mundo Sub-20, no Chile, onde o Brasil foi eliminado pela primeira vez na história ainda na fase de grupos, apesar do formato permitir a classificação de até três seleções por grupo.

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Brasil x Espanha
Derrota do Brasil para a Espanha, no Mundial Sub-20. Foto – Divulgação/CBF

 

No último sábado (04), o Brasil perdeu para a Espanha por 1 a 0 e terminou na lanterna do grupo C, com apenas um ponto conquistado, fruto de um empate contra o México. As derrotas para Marrocos e Espanha escancararam o contraste entre o descuido brasileiro e os projetos bem estruturados de ambos os países que, apesar de possuírem menos tradição, investem seriamente em formação, infraestrutura e planejamento. Enquanto a CBF coleciona más gestões e decisões que levam o futebol brasileiro a ficar cada vez mais distante de seu antigo protagonismo no mundo do futebol.

Para provar que um bom cuidado com seus produtos, especialmente a produção e revelação de jogadores, realmente interfere no produto final de uma confederação de futebol (ou seja, o sucesso de sua seleção nacional), utilizarei o exemplo novamente de Marrocos e Espanha, ambos algozes da seleção no mundial sub-20 e também países-sede da Copa do Mundo de 2030.

O Projeto Espanhol

A Espanha vive hoje o auge de um projeto de longo prazo. Atual campeã da Eurocopa e vice da Liga das Nações, a La Furia colhe os frutos de uma política consistente de desenvolvimento das categorias de base, conduzida pela Federação Espanhola ao longo da última década.

O técnico Luis de la Fuente, que assumiu a seleção principal após a Copa do Mundo do Catar em 2022, simboliza essa filosofia. Com uma carreira inteiramente dedicada às seleções de base, sendo treinador das seleções sub-18, sub-19 e sub-21, entre 2013 e 2023, ele foi responsável por formar boa parte da geração atual. Sob seu comando, a Espanha conquistou a Euro Sub-19 (2015), a Euro Sub-21 (2019) e a medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio (2021).

Mais importante do que os títulos, foi o legado de desenvolvimento humano e esportivo: jogadores como Unai Simón, Rodri, Fabián Ruiz, Dani Olmo e Pedri passaram por suas mãos. Esse elo entre base e seleção principal é hoje um dos grandes trunfos da Espanha. O maior símbolo dessa renovação é Lamine Yamal, joia de apenas 18 anos e destaque da Euro 2024, que há pouco tempo brilhava nas categorias inferiores.

A Espanha mostra, com clareza, que o sucesso de uma seleção nasce de projetos contínuos, técnicos capacitados e integração entre base e elite, sendo fatores que sustentam seu planejamento para a Copa de 2026 e, principalmente, para 2030.

A Ambição Marroquina

A ascensão do Marrocos como potência africana também é resultado de uma estratégia nacional de longo prazo. O ponto de virada veio em 2010, quando o Rei Mohammed VI, insatisfeito com o desempenho do país, decidiu reformular completamente o sistema de formação esportiva. Desse movimento nasceu a Academia de Futebol Mohammed VI, em Salé, nos arredores de Rabat, um investimento de US$ 16,8 milhões que hoje é referência mundial em estrutura e metodologia.

A academia oferece formação integral a jovens de 12 a 18 anos, combinando educação e esporte. O complexo conta com centros médicos, técnicos, pedagógicos e esportivos de padrão internacional. Os resultados são inegáveis: atletas como En-Nesyri, Aguerd e Ounahi saíram diretamente da academia para protagonizar a histórica campanha na Copa do Mundo de 2022, quando o Marrocos se tornou o primeiro país africano a chegar a uma semifinal.

Desde então, o país ampliou seu investimento em infraestrutura, preparando-se para o Mundial de 2030. Estádios como o Grande Stade de Casablanca estão sendo modernizados, e o país aposta na integração entre esporte, turismo e desenvolvimento urbano. O sucesso, entretanto, vai além do futebol masculino: em 2023, o Marrocos tornou-se o primeiro país árabe a disputar a Copa do Mundo Feminina, consolidando o resultado de uma política esportiva inclusiva e moderna.

Lição para o Brasil

Os casos de Espanha e Marrocos, assim como de Argentina e França, atual campeã e vice mundiais que também passam por renovação constante, mostram que o sucesso no futebol moderno depende de projeto, investimento e governança. O talento natural já não basta quando falta estrutura, continuidade e seriedade administrativa.

A CBF, uma das federações mais ricas do planeta, tem o dever de reverter essa decadência. Cabe ao atual presidente, Samir Xaud, compreender que o futuro da seleção passa obrigatoriamente por um plano de base sólido, capaz de reconstruir o caminho entre as categorias inferiores e a equipe principal. O Brasil precisa retomar sua vocação formadora e isso exige planejamento, transparência e urgência.

Enquanto outras nações constroem o futuro, o futebol brasileiro vive do passado.

Seleção Brasileira
Samir Xaud, atual presidente da CBF. Foto – Divulgação/CBF

Fracassos recentes da Seleção Brasileira (desde 2022)

  • Eliminado pela Croácia na Copa do Mundo de 2022
  • Eliminado por Israel na Copa Sub-20
  • Eliminado pela Argentina na Copa Sub-17
  • Eliminado do Pré-Olímpico em grupo com Paraguai e Venezuela
  • Derrotas para Marrocos, Senegal, Bolívia e Paraguai
  • Empate em casa com a Venezuela
  • Eliminado pelo Uruguai nas quartas da Copa América
  • Derrota por 6×0 para a Argentina no Sul-Americano Sub-20
  • Derrota por 4×1 para a Argentina nas Eliminatórias (pior da história na competição)
  • Pior campanha do Brasil nas Eliminatórias
  • Eliminado na fase de grupos da Copa do Mundo Sub-20